quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dezembro

Toca o telefone eu vou atender
Criando esperança achando que pode ser
Tantos outros querendo ser você
Quantas vezes?Já nem sei...uma,duas,três

Ninguém dirá que vivo só
Sempre rodeada, mas nunca firmo um nó
Prefiro ser solta igual  a peça de dominó

Se perco ou se ganho
É só minha culpa. O meu desengano
Não preciso dizer que sofro meu pranto

Já que pra você tudo acabou
Não venha atrás dizer que se enganou

Pois quem sabe tudo mudará
E jamais, na sua frente eu vou estar

Prefiro dizer que não sinto sua falta
Mesmo que isso seja só uma farsa
O meu coração cheio de razão
Já não quer mais ouvir outro não

Agora vive solto como um passarinho
Que não quer mais fazer o seu ninho
Prefere viver por ai sozinho
Tentando encontrar outro caminho.

                     Sofia Amundsen,dezembro de 2010.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inefável



Esta é a real morte
A que você consegue sentir que se faz morrer
A ausência de sentimento
O vago, vigarista, volúvel, volátil, voraz
Que vivamente vocifera vocabulário vulgo
Sentido da existência humana
Amor
Substantivo abstrato
Anafilaxia crônica
Um perfeito psicodrama psicotrópico

         Sofia amundsen,08 de novembro de 2010

Rua Chile

O medo é inerente ao risco
O medo silencia as palavras
E as tornam imperfeitas, contidas em frases incompletas.
E em meio ao caos, a poesia torna-se pequena,tímida,mal elaborada
Mistura-se a sujeira
Não se escuta mais no barulho
E torna-se inexata!
Pois o silencio se sobressai com sua eloqüência
Inibida pela incerteza do ato.
E entre interferências, vozes, gagueira e mãos geladas
Naqueles pequenos instantes em que os olhos se encontram
Deixava-me transparecer sutilmente
Instintos primitivos de um ser transbordando sentimentos naufragados.
[levados pela correnteza do tempo, e desviados por influentes decepções!]
E assim, se fazia presente a mais bela de todas as poesias
Aquela que não precisa ser falada, para ser sentida, toda vez que te encontro.
                             
                                                                          Sofia Amundsen,junho 2010

algum lugar

Tomo o ônibus
Tudo parece estar bem
A rua, o trânsito, os meus comentários banais
À noite
Tudo serenamente bem
Vejo as estrelas
Sinto o vento levando tudo
E sigo no ônibus
Meio sem rumo, meio sem medo...
A noite segue alta e ainda não decidi
Talvez desejo ir  em  algum lugar
Talvez desejo apenas não ficar
Vai saber lá
Quando se está  indo
Ou quando já não se estar

                       Sofia Amundsen,13 de novembro de 2010